Centre for Environmental Biology
the groupresearchpublicationsagendafollow us on facebook
ongoing projectsconcluded projectstools
 

 

Cobertura Ecológica da FCUL (Green Roof)




A primeira Cobertura Ecológica da FCUL foi instalada em Fevereiro de 2013. Este projeto desenvolveu-se no seguimento da Jornada Internacional de Coberturas Ajardinadas Lisboa '12, que decorreu na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa no dia 24 de Outubro de 2012, e que juntou especialistas nesta área.

A FCUL é pioneira na instalação da primeira Cobertura Verde num Instituto de Ensino Superior. Esta é uma iniciativa que conta com o envolvimento do Centro de Biologia Ambiental (CBA) da Faculdade de Ciências, e com o apoio da Galp, da Neoturf espaços verdes e ZinCo.

A Cobertura Ecológica está localizada na zona entre os edifícios C4 e C5 da  FCUL e pode ser observada a partir do 3º piso do C4 e 3º, 4º e 5º pisos do C1 e C2. Durante o mês de Março de 2015, foi dado mais um passo na divulgação da Cobertura Ecológica pela comunidade académica, com a colocação de faixas indicativas da sua localização e painéis informativos. À página de facebook já existente, veio juntar-se o presente site que pretende apoiar e manter atualizada a divulgação das atividades relativas à Cobertura Ecológica.



A Universidade de Lisboa acredita que o exemplo pioneiro da Faculdade de Ciências, na utilização de uma tecnologia inovadora e com tantos benefícios ambientais e educativos, possa ser replicado noutros edifícios da FCUL, por outras unidades da UL ou outras instituições.

O que são Coberturas Ecológicas?
Coberturas Ecológicas ou Telhados Verdes são espaços verdes localizados nos telhados dos edifícios com requisitos mínimos de manutenção, através da utilização de espécies adaptadas ao clima local.



A utilização de Coberturas Ecológicas em países do norte da Europa é uma prática comum, no entanto as características do clima mediterrânico podem limitar o seu sucesso. A instalação do Cobertura Ecológica na FCUL teve como objetivo a avaliação da sua evolução, contribuindo assim para um melhor conhecimento do funcionamento e sustentabilidade destas estruturas em áreas mediterrânicas. Esta cobertura constitui ainda um projecto-piloto para futuras instalações de telhados ecológicos noutros edifícios da Universidade de Lisboa.

Quais os benefícios das Coberturas Ecológicas?
A instalação de telhados ecológicos apresenta várias vantagens, nomeadamente:

  • Isolamento térmico dos edifícios
    Os telhados ecológicos contribuem para a regulação da temperatura dos edifícios, permitindo a manutenção de temperaturas amenas, ao longo de todo o ano, diminuindo os gastos energéticos associados.
  • Proteção estrutural dos edifícios
    Um telhado ecológico constitui um revestimento adicional à cobertura dos edifícios, reduzindo a sua exposição aos diferentes elementos atmosféricos. O seu efeito na diminuição da amplitude térmica a que estes estão sujeitos é responsável por uma maior durabilidade das estruturas protegidas
  • Retenção de precipitação
    Os telhados ecológicos podem apresentar uma elevada capacidade de reter água que pode ser armazenada e reutilizada. Este tipo de estrutura pode reter cerca de 50% da precipitação, mesmo com um substrato pouco profundo, contribuindo para a diminuição de risco de inundação e para uma drenagem urbana mais sustentável.
  • Sequestro de carbono atmosférico
    O CO2 é um dos principais gases com efeito de estufa no nosso planeta. As plantas, através da fotossíntese, fixam o carbono e libertam oxigénio, contribuindo de forma decisiva para a redução deste efeito a longo prazo.
  • Promoção da biodiversidade das cidades
    Os telhados ecológicos representam áreas verdes em ambientes citadinos, favoráveis ao aparecimento de mais espécies. Estes locais vão funcionar como refúgio e corredor verde para animais e plantas, potenciando o seu estabelecimento em áreas urbanas.
  • Espaços de lazer
    A construção do telhado verde pode ser direcionada de modo a constituir um espaço de lazer para a população local, privilegiando o contacto com a natureza em ambiente urbano.

 

A Cobertura Ecológica da FCUL em números
Instalação: 2013
Área total: 150m2
Número de plantas: 1560
Número de espécies: 4 (género Sedum)

Como é a estrutura da cobertura ecológica da FCUL?
Para a plantação no topo de edifícios, é necessária a montagem de uma estrutura com substrato e drenagem adequados à vegetação selecionada e que, simultaneamente, mantenha a integridade do próprio edifício. Na seguinte figura, é possível ver em detalhe as diferentes camadas da estrutura que proporciona suporte à Cobertura Ecológica.

 

Quais as espécies utilizadas?
As 4 espécies plantadas são as seguintes:
Sedum album
Sedum sediforme
Sedum acre
Sedum rupestre

Sedum albumSedum sediforme
Sedum album e Sedum sediforme
Sedum acreSedum rupestre
Sedum acre e Sedum rupestre

Todas as espécies plantadas pertencem ao género Sedum. Porquê?
Estas plantas pertencem a espécies suculentas de folha carnuda que acumulam água e são particularmente resistentes à seca e a temperaturas elevadas.
Podem ser encontradas de uma forma geral em condições extremas como locais pedregosos, afloramentos calcários, ou arenosos, sendo muito resistentes à falta de água. Estes requisitos ecológicos tornam-nas adequadas à utilização em telhados ecológicos extensivos.

Sedum sediformeSedum sediformeSedum album
Plantas de S. sediforme (à esquerda e centro) e S. album (à direita) em afloramentos rochosos no Parque Natural da Serra da Arrábida

Estas plantas têm ainda uma grande capacidade de regeneração por sementes e por regeneração vegetativa a partir de folhas e porções de caule, o que permite a colonização natural do espaço. A floração ocorre entre Abril e Setembro e são polinizadas por insetos. A cor das plantas de Sedum varia ao longo do ano de acordo com a disponibilidade de água e temperatura, originando juntamente com a floração diferentes tonalidades na Cobertura Ecológica.

Enraizamento de um novo indivíduo de S. sediformeNovos indivíduos de S. acre
Enraizamento de um novo indivíduo de S. sediforme (esquerda) e novos indivíduos de S. acre (direita).

S. albumS. sediformeS. acre
S. album, S. sediforme e S. acre em flor.

Variação de coloração num indivíduo de S. album
Variação de coloração num indivíduo de S. album

Além das plantações, está ainda a decorrer um teste-piloto à utilização de transplantes de briófitos (musgos), instalados em Novembro de 2014.


Briófitos transplantados para a Cobertura Ecológica.

Monitorização e manutenção: como funciona?
Para uma correta avaliação da evolução e sucesso da instalação da Cobertura Ecológico, é necessária a sua monitorização e manutenção regulares. Estas têm sido assegurada por voluntários, na sua maioria, membros do grupo de investigação ESFE (Stress Ambiental e Ecologia Funcional), do cE3c.

Para garantir a sustentabilidade da Cobertura Ecológica, a sua manutenção deve ser mínima. Contudo, foi necessário assegurar a rega do telhado durante o primeiro verão após a sua instalação, uma vez que esta estação corresponde ao período de maior stress hídrico e a mortalidade durante o primeiro ano pode ser superior devido ao choque de transplantação. Após este período, são realizadas visitas regulares à Cobertura Ecológica, para avaliação do seu estado geral, necessidade de rega ou monda de espécies indesejadas.


Voluntários em ações de manutenção da Cobertura Ecológica.

A monitorização da Cobertura Ecológica pretende dar resposta a algumas necessidades ao nível da manutenção (p.ex. rega) e, acima de tudo, avaliar a evolução da comunidade vegetal aí instalada.
Para atingir o primeiro objetivo, foi avaliado o conteúdo hídrico e temperatura do substrato, semanalmente durante o primeiro Verão e pontualmente após este período. Para monitorizar a evolução da comunidade vegetal, no final da Primavera são avaliados os seguintes parâmetros:

  • sobrevivência (número de plantas vivas)
  • crescimento (cobertura e altura)
  • propagação vegetativa e seminal (presença de novas plântulas).

Avaliação do conteúdo hídrico do substratogrelha para avaliação da cobertura
Avaliação do conteúdo hídrico do substrato (esquerda) e grelha para avaliação da cobertura (direita)

 

Dois anos depois da instalação da Cobertura Ecológica, o que mudou?
Em breve teremos mais informação sobre a evolução da Cobertura Ecológica da FCUL ao longo dos últimos dois anos.

 

Textos e fotos: Cristina Branquinho, Otília Correia, Teresa Mexia, Cristina Antunes, Melanie Batista, Catarina Costa, Ricardo Carvalho e Zulmira Gamito. Esquema da Cobertura Ecológica: Zulmira Gamito.





Para mais informações, entre em contacto connosco através do email sedum.sp@gmail.com.



 

The Environmental Stress & Functional Ecology is a research group within cE3c, Centre for Ecology, Evolution and Environmental Changes